O engraçado ou irônico, ou ambos - pois humor e irônia andam juntos - é que um minuto atrás eu sorria com esta frase, achando graça dos meus momentos meretrizes inconsequentes; Mas agora esta frase, ainda real, não me proporciona tanta graça.
A minha vida segue em um ritmo desconcertante, alguns de extrema euforia e outros de extrema decadência, diga-se: esta madrugada tive um lapso tremendo e como sempre é o motivo de eu estar escrevendo diversos vocábulos para me expressar. As lágrimas não foram suficientes.
Tenho tanta coisa para fazer e para pensar e sempre me dirijo para o que não afeta de uma forma positiva e que ainda assim eu encontro muito sentido para tal.
Minha auto-sabotagem é tão presente, ela saltita antes que eu possa pensar e até mesmo soletrar a palavra f-e-l-i-c-i-d-a-d-e.
Enquanto estava tomando banho, sintetizei tudo o que me ocorreu, desde o meu simples boa noite até o meu choro incontido e salgado por cima dos meus livros de literatura. Não acredito em horoscópo, mas às vezes eu leio para encontrar inspiração (sinal de contradição - absolutamente normal) e hoje dizia algo de que só encontrarei clareza na solidão, que preciso refletir sobre o que eu quero com os meus próprios botões, mas como ainda habita em mim o espírito rebelde (isto eu acabei de inventar para parecer uma narrativa adolescente) e a verdade de Andrea - motivada por relances - entrei no mundo virtual e encontrei uma pessoa que divide comigo os sentimentos mais ásperos e reais e que da mesma forma surreal e dadaísta (por que não misturar os dois?) coloca o espelho na minha face, fazendo-me enxergar por entrelinhas. As tão famosas entrelinhas que sugam as esperanças e ao mesmo tempo as coloca em um patamar sonhador. Não resisti e contei de forma sucinta o que me ocorreu, o que eu fiz acontecer. E talvez o problema é que eu sou um péssimo ator, só atuo com as pessoas erradas e me coloco na posição defensiva. Exatamente: eu tenho medo de gostar das pessoas e me foder, porque toda vez que eu acreditei em um final feliz eu me vi fodidamente infeliz. (monólogo roubado de um certo seriado que eu gostei de assistir), e além disso é muito mais fácil me apegar a um amor passado e fodido do que encontrar alguma coisa nova em folha em que você não sabe onde está pisando, em outras palavras, pisar em ovos novos, me assusta. E roubando ainda prévias da pessoa nova e entendida de frustramentos: "é bem mais comodo se apegar a algo que voce conhece, e que tenha lhe fodido a cabeça, do que a algo que tu nao sabes o que lhe causará, afinal, o que é conhecido, voce ja sabe a solução.
se bem que isso é me contradizer, uma vez que se soubesse a solução nao estaria na situação em que me encontro".
E quando eu acabo de reler este celébre pensamento, me pus um sorriso. Incrível como cutucar problemas é o nosso trabalho. Cutucar feridas e nunca deixá-las cicatrizar. Afinal, a casca que se forma é incomôda, e a ansiedade não deixa que a pele nova se forme. E é poético aquele sangue escorrendo, quando não há meio termo e final. O início sempre estraga e corrói. E é extritamente necessário.
Não irei mais desalinhar outras linhas para dizer e desdizer os meus pensamentos e despensamentos, as minhas falas e a falta delas. E mais uma vez encerrarei o meu suposto diário virtual sem soluções aparentes para os meus problemas ou rascunhos de problemas, porém, é mais um dia e mais umas palavras escorridas por este ser que clama por alguma coisa. Clamar me parece um verbo muito forte, muito drama, mas o diário é meu, então foda-se. Palavra de baixo calão sempre usada para enfatizar.
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